Dia Mundial dos Lagos: Lagoa Mirim, um reservatório estratégico que une dois países
Comemorado pela primeira vez em 2025, o Dia Mundial dos Lagos foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar governos e sociedade em geral sobre a importância dos lagos e de seus ecossistemas como fontes essenciais de água doce e refúgio de biodiversidade. Ao colocar esses habitats em evidência, a Organização busca inserir a pauta na agenda ambiental e nas discussões sobre desenvolvimento em escala global
Na América Latina, a Lagoa Mirim se destaca como um patrimônio natural compartilhado entre Brasil e Uruguai e constitui o principal reservatório da Bacia Hidrográfica que leva seu nome. Segundo maior lago de água doce da América do Sul, é cercada por extensas áreas úmidas com as quais forma o maior complexo de lagoas costeiras do planeta. A Lagoa tem papel estratégico para o abastecimento de água, as atividades agrícolas, pesqueiras e industriais, a biodiversidade, a regulação do clima, o turismo, o lazer e a identidade cultural local. Estendendo-se por dois países, o território é marcado por desafios que não conhecem fronteiras. Por isso, a gestão dos recursos hídricos em comum exige uma ação coordenada para enfrentar as ameaças ambientais e os impactos hidrológicos e socioeconômicos que afetam a região.
É nesse contexto que o Projeto "Gestão Binacional e Integrada dos Recursos Hídricos da Bacia da Lagoa Mirim e Lagoas Costeiras" atua, fortalecendo a cooperação entre Brasil e Uruguai na construção de soluções sustentáveis e de uma agenda binacional para a Bacia. Prestes a concluir a Análise Diagnóstica Transfronteiriça da Bacia, o passo seguinte do Projeto é elaborar um Programa de Ações Estratégicas (PAE), que vai definir prioridades e ações para a gestão integrada e sustentável da água no território.
Desafios que exigem respostas coordenadas
Ao criar o Dia Mundial dos Lagos a ONU também faz um alerta sobre a urgência da conservação e da gestão sustentável dos lagos, diante das crescentes pressões decorrentes da sobreexploração de seus recursos, da contaminação das águas e dos impactos das mudanças climáticas.
“Lagos e lagoas não são corpos hídricos isolados. Eles integram sistemas conectados, que incluem rios, córregos, arroios, canais, áreas úmidas e águas subterrâneas, sustentando uma diversidade de paisagens, comunidades e atividades econômicas. Assim, alterações na quantidade ou na qualidade da água, no uso do solo ou nos ecossistemas, mesmo quando ocorrem em outros pontos da bacia, podem repercutir sobre os lagos e as lagoas e sobre as populações que deles dependem”, explica Leonardo Ferreira, Coordenador Binacional do Projeto Lagoa Mirim.
Os episódios recentes de cheias na região reforçam a necessidade de um olhar atento para esses ecossistemas e para os desafios que os afetam. Em um cenário de mudanças climáticas e de maior pressão sobre os recursos hídricos, torna-se cada vez mais importante traçar estratégias que favoreçam lagos mais saudáveis e resilientes. Proteger esses ecossistemas significa garantir segurança hídrica, preservar a biodiversidade e os habitats de inúmeras espécies de plantas e animais e assegurar qualidade de vida e bem-estar às gerações presentes e futuras.
Na Bacia da Lagoa Mirim, o Projeto contribui para esse propósito ao aproximar instituições, academia, usuários da água e comunidades, promovendo a produção e o intercâmbio de conhecimento, o diálogo e a capacitação, e fortalecendo a participação de diferentes atores na construção de caminhos para um futuro mais saudável e resiliente para o território.
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O projeto "Gestão Binacional e Integrada dos Recursos Hídricos da Bacia da Lagoa Mirim e Lagoas Costeiras", também conhecido como Projeto Lagoa Mirim, é executado pelos governos do Brasil, por meio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), e do Uruguai, por meio do Ministério de Ambiente (MA), com o apoio técnico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O financiamento é proveniente do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).
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