Oficinas locais fortalecem processo participativo do diagnóstico transfronteiriço da Bacia da Lagoa Mirim
Em novembro de 2025, foram realizadas oficinas em vários locais da bacia da Lagoa Mirim para apresentar o progresso da Análise Diagnóstica Transfronteiriça (ADT), que visa identificar os principais problemas comuns e transfronteiriços relacionados aos recursos hídricos da bacia, a fim de apoiar ações prioritárias para sua gestão compartilhada.
As oficinas também possibilitaram coletar percepções e contribuições de moradores, instituições e atores locais sobre os desafios que afetam esse sistema hídrico binacional.
A ADT está sendo realizada pelo Centro Universitário Regional do Leste (CURE) da Universidade da República (Udelar), no Uruguai, e pela Fundação Delfim Mendes Silveira (FDMS), no Brasil, no âmbito do projeto “Gestão Binacional e Integrada dos Recursos Hídricos na Bacia da Lagoa Mirim e Lagoas Costeiras”. Este projeto é executado pelo Ministério de Ambiente do Uruguai e pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional do Brasil, implementado pela FAO e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).
Oficinas participativas na bacia
As oficinas foram organizadas pelo CURE e pela FDMS, com o apoio da equipe do projeto, reforçando o caráter participativo e binacional do diagnóstico para a gestão sustentável dos recursos hídricos na bacia.
O processo de elaboração da Análise Diagnóstica Transfronteiriça (ADT) envolve uma equipe numerosa de especialistas e cientistas de ambos os países e reúne informações essenciais sobre as características sociodemográficas e culturais da bacia, impactos e desafios ambientais, uso da água, saúde socioambiental, valores bioculturais, sistemas de produção e sustentabilidade, entre outros fatores.
Os eventos contaram com a presença de representantes de organizações sociais e centros de pesquisa, produtores locais, autoridades nacionais e estaduais, bem como comunidades tradicionais.
No Uruguai, a equipe do CURE iniciou o processo com uma oficina virtual na qual os profissionais responsáveis por cada área temática da ADT apresentaram relatórios preliminares. Posteriormente, foram realizadas três oficinas presenciais em locais estratégicos da bacia — Chuy, Treinta y Tres e Lago Merín — com o objetivo de fomentar a participação das comunidades locais, instituições e principais atores do território e incorporar suas perspectivas ao processo de diagnóstico. Ao todo, participaram 120 pessoas.
Juan Pablo Albornoz, Especialista em Articulação e Processos da FAO no Uruguai, observa que “o progresso da ADT tem sido muito significativo. O trabalho técnico do CURE, em conjunto com a equipe do projeto, permitiu a consolidação de um diagnóstico robusto, com uma análise integrada dos aspectos ambientais, sociais e produtivos”.
No Brasil, a FDMS organizou uma oficina nacional presencial de um dia inteiro, no âmbito da Conferência Sul sobre Mudanças Climáticas (COPSul), realizada em Pelotas, que reuniu mais de 100 participantes. Além da participação do órgão executor no país (MIDR), o encontro contou com ampla representação da sociedade civil e de povos e comunidades tradicionais, incluindo lideranças indígenas, quilombolas, pescadores artesanais e agricultores familiares da porção brasileira do território da bacia.
Nesse evento, foi apresentado o progresso da ADT e foram mapeados os locais e as formas de manifestação de situações sensíveis que afetam os problemas relacionados aos recursos hídricos da bacia. A Especialista em Gênero do projeto, Daniela Nogueira, também participou de sessões de diálogo sobre igualdade de gênero e segurança alimentar.
O Coordenador Binacional do projeto, Leonardo Ferreira, enfatiza a importância desta fase para o desenvolvimento subsequente de um Programa de Ação Estratégica, visando harmonizar as políticas e os marcos regulatórios de ambos os países. “Estas oficinas fomentaram um diálogo aberto e informado com representantes de diversos setores. Foram abordados temas-chave como qualidade da água, governança, recursos pesqueiros, uso e ocupação do solo, entre outros aspectos relevantes para a gestão compartilhada da água. Cada encontro forneceu contribuições fundamentais que alimentam o progresso do projeto, fortalecendo coletivamente sua base técnica, institucional e participativa”, afirma.
Próximos passos
Com as contribuições reunidas nesta série de oficinas, o projeto seguirá avançando na caracterização e priorização dos problemas transfronteiriços. A Análise Diagnóstica Transfronteiriça (ADT) final será apresentada em uma oficina binacional a ser realizada na cidade de Pelotas, no primeiro trimestre de 2026. Simultaneamente, será disponibilizada por meio de consultas ao públicas em ambos os países, incluindo sessões presenciais e virtuais em diversos pontos da bacia.
Dessa forma, o processo de oficinas e consultas consolida uma Análise Diagnóstica Transfronteiriça desenvolvida com a participação de múltiplas partes interessadas, que servirá de base para o fortalecimento da gestão sustentável dos recursos hídricos na bacia da Lagoa Mirim.
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